“Desenhar é minha paixão.” É com esta expressão simples, mas carregada de significado, que Sheila Cossa, artista plástica moçambicana, traduz a ligação que mantém com o universo das artes visuais. Para ela, desenhar vai além de produzir imagens: é uma forma de expressão, comunicação e interpretação do mundo, onde as palavras nem sempre são necessárias.
Com uma presença activa no movimento artístico da cidade da Beira, Sheila Cossa tem vindo a afirmar-se através da sua participação em iniciativas de arte urbana, contribuindo para transformar espaços públicos em ambientes de criatividade, identidade e valorização cultural.
Na Beira, a artista participa activamente no projecto Beira Street Art, uma iniciativa que utiliza a arte como instrumento de transformação visual da cidade. Através desta experiência, tem contribuído para a renovação de paisagens urbanas e paredes, levando a expressão artística para espaços que fazem parte do quotidiano dos cidadãos.
A sua intervenção estende-se igualmente ao Parque de Infraestruturas Verdes da Beira, onde participa em trabalhos de valorização artística daquele espaço, demonstrando como a criatividade pode dialogar com o ambiente, a arquitectura e a vida comunitária.
Mais do que a dimensão estética, a participação nestas iniciativas representa uma oportunidade de aproximar a arte das pessoas, tornando-a acessível e presente nos espaços de convivência pública.
Da paixão pelo desenho à formação académica
A dedicação de Sheila Cossa às artes não se limita à prática artística. A artista concluiu a licenciatura em Educação Visual na Universidade Licungo, na Beira, formação que reforça a sua preparação no domínio das artes visuais e da educação artística.
Este percurso académico complementa a sua experiência prática, permitindo-lhe desenvolver uma relação entre conhecimento técnico, criatividade e expressão visual.
Nas suas publicações nas redes sociais, algumas das suas reflexões revelam a forma como compreende a arte e o seu papel na sociedade. Uma das expressões que mais chama a atenção é «comunicar sem palavras», uma frase que traduz a capacidade das imagens, cores, formas e desenhos de transmitir ideias, sentimentos e mensagens sem depender necessariamente da comunicação verbal.
É precisamente nesta perspectiva que o trabalho de artistas plásticos ganha particular relevância: a arte torna-se uma linguagem universal, capaz de ultrapassar barreiras linguísticas e culturais.
A arte como instrumento de transformação das cidades
Num país onde a valorização das artes visuais ainda enfrenta desafios relacionados com oportunidades, reconhecimento e acesso a espaços de exposição, a participação de jovens criadores em iniciativas de intervenção urbana representa um contributo importante para o desenvolvimento cultural.
Sheila Cossa integra um grupo ainda reduzido de mulheres artistas plásticas moçambicanas que procuram afirmar a sua expressão artística e conquistar maior visibilidade num sector que precisa de mais oportunidades de divulgação e valorização.
A sua participação em projectos de arte urbana na Beira mostra também que os artistas podem desempenhar um papel activo na transformação das cidades, contribuindo para a construção de ambientes mais atractivos, criativos e culturalmente representativos.
O seu percurso recorda que a arte não precisa de estar limitada às galerias ou aos espaços tradicionais de exposição. Pode estar nas paredes, nos parques, nas ruas e em todos os lugares onde exista espaço para a imaginação.
Para Sheila Cossa, desenhar é uma paixão. Mas, através dessa paixão, a artista demonstra que também é possível contar histórias, transmitir mensagens e transformar paisagens sem pronunciar uma única palavra.



























Leave a Reply